12/09/08

Momentos de raiva

Às vezes acendendo-me de raiva.
Uma ignição mais que explosiva,
transgride-me a alma, abafa-me a psique

Às vezes acendendo-me de tal fúria
que se liberta-se um bicho
esfola, esventra, emite sons estranhos… Parece-me que uiva

Quando me acendo, apago-me
Quase não me controlo, quase que não sou eu
Por instantes apetece-me bater-te, magoar-te
Apetece-me destruir aquele pequeno mundo que é teu

Invade-me o frio metálico e todo eu sou egoísta
mas são momentos estranhos, diferentes de qualquer outra tara
Não me descontrolo, sou antes controlado
Apetece-me calçar umas botas e com elas desfazer-te a cara
Apetece-me partir-te os joelhos, arrancar-te o maxilar
Pisar-te enquanto estas no chão e rir-me de te ver a chorar

Sim. Às vezes acendendo-me em cólera.
Foi mais um instante breve, mas sincero.
Penso numa possibilidade e assusto-me!
Imaginei esse bicho liberto…

25/07/08

Homem de Foz Côa

Sonhei-te.
Deitado na minha cama, debaixo do meu corpo
Um réu preso a uma trama, sonhei-te acorrentado pelo pescoço
Não distinguias a luz encarnada vendado
Na tua pele, a cera marcada sentias
Na minha cama sedado, o que eu queria tu fazias

A tua pelve presa entre as minhas botas, entre as pernas o teu torso
Éramos dois animais de tesão, éramos dois corpos num coito
Uma envolvência brutal, banal que evoluiu para uma excepção

Sonhei-te, é verdade…
Deitado na minha cama, debaixo do meu corpo
Numa sexualidade perversa de quem não ama
Contudo depois de feito a temperatura era diferente
O frio metálico era inexistente e eu deitei-me ao teu peito

Sonhei-te, sonhei-me
Não te assustes que foi apenas um sonho
Mas foi bom… Libertei-me

18/05/08

Gostos

Gosto do teu objecto
Gosto do odor intenso e do sabor salgado
Gosto de o ver, de o lamber, de massaja-lo
Gosto de senti-lo, gosto de prova-lo
Gosto de o abocanhar, gosto de o engolir
Gosto que o roces na minha cara
Gosto de mama-lo
Gosto do teu objecto… Não gosto de ti
Na verdade não te suporto sequer, mas do teu objecto… gosto

23/04/08

Amante automático

Entre faces conhecidas a tua apenas me soou a familiar
Não sabia de onde, não era importante, ainda assim soubeste explicar
Minutos mais tarde voltei a ver-te, estavas mais desfocado
Mais perto, mais quente e mais interessado

Beijaste-me, toquei-te, agarraste-me, algemei-te
Num suceder de acções minhas e tuas inchaste, cresceste, endureceste …
Toquei-te, senti-te. Fugiste! Assustei-te?
Desculpa a falta de emotividade mas sou assim, frio metálico… Um amante automático

Não demorou muito para voltares e beijares-me de novo
Depois de te sentir como senti não tinha duvidas que voltavas
Querias-me, mas havia um alguém que amavas - Disseste
“Ama quem quiseres” - Beijei-te, indiferente e apático porque sou assim… Um amante automático

Queria oferecer-me, queria provar-te
Amares alguém exacerbou-me, soubeste ligar-me
Se fosses outro não seria diferente
O botão era o mesmo e o prazer suficiente

Os teus dedos invadiram-me, enquanto te provava o suor
Provei-te a saliva, provei-te o esperma, provei-te o odor
Sabias aos outros e num beijo provaste-te
Foi errado, foi problemático, foi bom… Foi automático

Intrigaste-me! O que procuravas, fiquei sem saber
Foi o álcool? Foi o ambiente? Farto de romantismo?
Querias prazer por prazer? Uma mistura de tudo isto e algo mais?
Querias frio metálico… Dei-te sexo automático